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Capa de O Alienista

O Alienista

Machado de Assis

Lido de 23 a 27 out 2026

O Alienista

Machado de Assis

(Amazon) Obstinado e fatalmente fiel à ciência, o médico não permitirá que nada – nem a população, nem o Estado, nem o senso comum – impeça sua nobre investigação sobre a razão humana.Publicada pela primeira vez em 1882, esta novela curta e sagaz foi uma das obras mais impactantes de Machado de Assis, um marco de sua voz questionadora e irônica e de sua visão tão certeira sobre questões inerentemente humanas. A edição da Antofágica traz 37 ilustrações de um dos maiores expoentes da arte no Brasil, Candido Portinari, que chegam pela primeira vez ao grande público.Complementando o texto de Machado de Assis, o livro traz também notas inéditas e posfácio de Rogério Fernandes dos Santos, especialista na obra machadiana, um posfácio da professora Daniela Lima e apresentação de Luisa Clasen, do canal Lully de Verdade.

ISBN-13: 978-6580210084

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O Alienista

Machado de Assis

  1. A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.

  2. A saúde da alma, bradou ele, é a ocupação mais digna do médico.

  3. A ciência contentou-se em estender a mão à teologia,—com tal segurança, que a teologia não soube enfim se devia crer em si ou na outra.

Minhas notas (3)
  1. Amanhã eu começo. Sem falta.

  2. Comecei o livro através da indicação de uma querida leitora da página, quando debatíamos sobre esse texto.

    De fato, gostaria de poder dizer que conheço mais de Machado de Assis, mas a verdade é que não.

    A história é bastante curta e engana na premissa. Aquele resumo superficial de "Ah, é um psiquiatra que começa a achar que todo mundo é louco!" definitivamente não se encaixa aqui.

  3. "O homi é bom", diria.

    Realmente a escrita de Machado de Assis é fascinante. O livro tem tudo que uma obra excelente tem: ritmo, ironia, história definitivamente mais profunda que aparenta caber em tão poucas páginas.

    A clássica revolução culminando na corrupção do provador é a cereja do bolo.

    Acho também que a escolha de um personagem tão "íntegro" quanto Dr. Bacamarte é bastante feliz. Incomoda pensar que o homem não é motivado por ciúmes, por dinheiro, etc. (Apesar de dar a entender em alguns trechos).

    Excelente obra, recomendo!

Capa de Crepúsculo dos ídolos

Crepúsculo dos ídolos

Friedrich Nietzsche

Lido de 20 a 23 out 2026

Crepúsculo dos ídolos

Friedrich Nietzsche

(Amazon) Crepúsculo dos ídolos foi a penúltima obra de Nietzsche, escrita e impressa em 1888, pouco antes de o filósofo perder a razão. O próprio Nietzsche a caracterizou como um aperitivo, destinado a "abrir o apetite" dos leitores para a sua filosofia. Trata-se de uma síntese e introdução a toda a sua obra, e ao mesmo tempo uma "declaração de guerra". É com espírito guerreiro que ele se lança contra os "ídolos", as ilusões antigas e novas do Ocidente. De tão variados e abrangentes, esses ataques compõem um mosaico dos temas e atitudes do autor: o perspectivismo, o "aristocratismo", o realismo diante da sexualidade, o materialismo, a abordagem psicológica de artistas e pensadores, o antigermanismo, a misoginia. O título é uma paródia do título de uma ópera de Wagner, Crepúsculo dos deuses. No subtítulo, a palavra "martelo" deve ser entendida como marreta, para destroçar os ídolos, e também como diapasão, para, ao tocar as estátuas dos ídolos, comprovar que são ocos.

ISBN-13: 978-8535928587

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Crepúsculo dos ídolos

Friedrich Nietzsche

  1. O verme se encolhe ao ser pisado. Com isso mostra inteligência. Diminui a probabilidade de ser novamente pisado. Na linguagem da moral: humildade. —

  2. Os homens mais espirituais, pressupondo-se que sejam os mais corajosos, também experimentam as mais dolorosas tragédias: mas justamente por isso eles honram a vida, porque ela lhes opõe o seu máximo antagonismo.

  3. Também na política a inimizade se tornou agora mais espiritual — muito mais sagaz, pensativa, moderada. Quase todo partido vê que está no interesse de sua autoconservação que o partido oposto não esgote a força; o mesmo vale para a grande política. Sobretudo uma nova criação, o novo Reich, por exemplo, tem mais necessidade de inimigos que de amigos: apenas no antagonismo ele se sente necessário, apenas no antagonismo ele se torna necessário...

  4. Para haver arte, para haver alguma atividade e contemplação estética, é indispensável uma precondição fisiológica: a embriaguez.

  5. Às vezes o valor de uma coisa não se acha naquilo que se obtém com ela, mas naquilo que por ela se paga — aquilo que nos custa.

Minhas notas (9)
  1. Uma dúvida que não quero pesquisar no Google exatamente agora.

    Por que livros pequenos de escritores de séculos passados ainda custam caro?

  2. Interessante sair de Leibniz e Kierkegaard para Nietzsche. Ao menos, no que tange ao religioso, são diametralmente opostos.

    A despeito disso, a leitura tem sido prazerosa.

    Nietzsche tem uma certa maneira visceral de expressar-se, como quando diz sobre humildade: "O verme se encolhe ao ser pisado. Com isso mostra inteligência. Diminui a probabilidade de ser pisado novamente."

    Sim. Isso é o autor falando sobre humildade.

    Seguimos...

  3. Ok. Depois que esse acabar acho que vou para algum livro de literatura mesmo.

  4. "Quase todo partido vê que está no interesse de sua autoconservação que o partido oposto não esgote a força; o mesmo vale para a grande política. Sobretudo uma nova criação, o novo Reich, por exemplo, tem mais necessidade de inimigos que de amigos"

    Atual, não?

  5. Quando o autor comenta sobre liberdade (livre-arbítrio), diz que "os homens foram considerados 'livres' para poderem ser julgados, ser punidos — ser culpados". Pessimista? Realista? A ideia é que para punir qualquer ação que seja, é necessário que ela seja entendida como originada da consciência, só a partir disso o conceito de culpa teria sentido.

  6. Pérola!

    Nietzsche diz que "minha exigência ao filósofo, de colocar-se além do bem e do mal — de ter a ilusão do julgamento moral abaixode si."*

    Aqui convoco Zizek e o conceito de paralaxe: a palavra vem da astronomia e representa o deslocamento aparente - perceptivo - de um objeto quando o observador muda de posição. Importando para a filosofia, o conceito sugere que perspectivas diferentes sobre uma mesma coisa podem ser irreconciliáveis entre si, já que o observador está sempre inscrito naquilo que está observando. Zizek entendeu isso não como um defeito do olhar, mas como algo inerente e inseparável da própria realidade. Fez sentido?

    Então quão difícil é realmente colocar-se além do bem e do mal especialmente quando inserido no mesmo conceito que se está analisando? Nietzsche tenta resolver convidando o pensador a entender que os fenômenos de mundo não têm per se propriedades morais, tudo vem de nossa interpretação.

    Me pergunto se é possível ser realmente imparcial com relação a qualquer coisa que seja.

  7. Ele fala sobre tudo. Agora, arquitetura.

    "Na construção devem tornar-se visíveis o orgulho, o triunfo sobre a gravidade, a vontade de poder; arquitetura é uma espécie de eloquência do poder em formas, ora persuadindo, até mesmo lisonjeando, ora simplesmente ordenando."

    Me lembrou inclusive que nunca assisti "O Brutalista". Preciso ver.

  8. "A doutrina da igualdade!... Mas não há veneno mais venenoso: pois ela parece ser pregação da própria justiça, quando é o fim da justiça... "Igualdade aos iguais, desigualdade aos desiguais" — isto seria o verdadeiro discurso da justiça: e, o que daí se segue, "Nunca tornar igual o desigual". — Em torno dessa doutrina da igualdade houve acontecimentos tão horríveis e sangrentos, que tal "ideia moderna" par excellence ficou rodeada de uma espécie de glória e de clarão, de modo que a Revolução seduziu, como espetáculo, também os espíritos mais nobres."

    Aqui deixo apenas a citação. Escreverei sobre em breve.

  9. Livro terminado. Curto mas com uma amplitude de temas assustadora. Pouquíssimos são os filósofos e pensadores elogiados nesse livro. Primeiro que li do autor.

    Acho que vou mesmo ir para algum romance aleatório agora.

Capa de O desespero humano

O desespero humano

Søren Kierkegaard

Lido de 14 a 20 out 2026

O desespero humano

Søren Kierkegaard

(Amazon) Søren Aabye Kierkegaard; Copenhaguen, (1813 – 1855) foi um filósofo, teólogo, poeta e crítico social dinamarquês, amplamente considerado o primeiro filósofo existencialista. Durante sua vida escreveu textos críticos sobre religião organizada, cristianismo, moralidade, ética, psicologia, e filosofia da religião, mostrando um gosto particular por figuras de linguagem como a metáfora, a ironia e a alegoria. A obra O Desespero Humano (Sygdommen til Døden em dinamarquês), literalmente "A Doença até à Morte" foi escrita por Kierkegaard em 1849 sob o pseudônimo Anti-Climacus. Kierkegaard trata o conceito de desespero equiparando-o ao conceito cristão de pecado. Muitos dos temas utilizados nesta obra mostram uma conexão inegável com os temas utilizados mais tarde por Freud.

ISBN-13: 978-6558940753

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O desespero humano

Søren Kierkegaard

  1. O defeito da infância está, em primeiro lugar, em não conhecer o horrível, e em seguida, devido à sua ignorância, em tremer pelo que não é para fazer tremer.

  2. Daí provém que haja duas formas do verdadeiro desespero. Se o nosso eu tivesse sido estabelecido por ele próprio, uma só existiria: não querermos ser nós próprios, outra: a vontade desesperada de sermos nós próprios.

  3. assim como há doenças imaginárias, há saúdes imaginárias

  4. A infelicidade de um eu desta espécie não está em nada ter feito neste mundo, mas em não ter tomado consciência de si próprio, em não se ter apercebido de que este eu é o seu, é um determinado preciso e, portanto, uma necessidade. Em vez disso, o homem perdeu-se deixando que o seu eu se reflita imaginariamente no possível.

  5. Mas como são raros os homens cuja consciência interior tem continuidade! Habitualmente a sua consciência é uma simples intermitência, que não se manifesta senão nas decisões graves, mas que permanece fechada ao cotidiano; como espírito, o homem não existe durante mais duma hora por semana forma bem animal, evidentemente, da existência espiritual.

Minhas notas (7)
  1. Já no prefácio da LeBooks Ed. entendemos o porquê de ser considerado Kierkegaard o primeiro existencialista, em uma citação de outra obra sua:

    "O que eu realmente preciso é ter clareza sobre o que devo fazer e não o que eu preciso saber (...). O que importa é encontrar um propósito, para ver o que realmente é que Deus quer que eu faça. O mais importante é encontrar uma verdade que seja verdade para mim, encontrar uma ideia pela qual esteja disposto a viver e morrer."

    E aprofundando um pouco mais nesse conceito, citam outra obra do autor (Enten-Eller) que ele termina com a frase "... apenas a verdade que é construída é verdade para ti."

    Animado com essa nova jornada.

  2. Aprendi uma palavra nova "Soçobrar", verbo que significa naufragar, afundar ou fazer com que uma embarcação vire.

  3. "Numa relação de dois termos, a própria relação entra como um terceiro,..."

    Acho interessante a forma com que muitos pensadores são capazes de colocar em palavras coisas absolutamente óbvias mas que de alguma forma merecem, sim, serem ditas. Em um casamento - feliz ou infeliz - existe o marido, a esposa e existe o casal.

  4. Compartilhar uma pequena citação aqui: "O defeito da infância está, em primeiro lugar, em não conhecer o horrível, e em seguida, devido à sua ignorância, em tremer pelo que não é para fazer tremer.".

    Merece um texto separado só pra comentar isso, não?

  5. "Daí provém que haja duas formas do verdadeiro desespero. Se o nosso eu tivesse sido estabelecido por ele próprio, uma só existiria: não querermos ser nós próprios, outra: a vontade desesperada de sermos nós próprios."

    Sei que pode parecer, a muitos, ultrajante qualquer paralelo entre grandes filósofos e música moderna, mas em Capricorniana (Poesia Acústica #3) temos uma frase que diz: quem é quem tem coragem de ser o que não é que logo recebe uma complementação e quem é que tem coragem de ser o que é.

    O que é mais difícil? Ser exatamente como queremos ou ser todos os dias alguém que não queremos. O que é mais desesperador?

  6. (...) assim como há doenças imaginárias, há saúdes imaginárias.

    Interessante ponto de vista. Existem doenças com pouquíssimo ou nenhum substrato orgânico claro e do mesmo modo existem pessoas doentes que por algum motivo comportam-se como se tivessem toda a saúde do mundo.

  7. O livro termina também com um pouco de fé, falando um pouco sobre pecado e sobre como o eu deveria apoiar-se nela.

    O último grifo que fiz no texto foi o seguinte: "Se se calasse o cristianismo, os homens seriam tão cheios de si? Certamente que não, como nunca o foram no paganismo;"

    Kierkegaard apoia-se na ideia cristã de que cada pessoa tem valor infinito ante Deus, mas que isso viria com exigências duras. Criticava inclusive os homens de sua época que teriam se afastado dessas concepções mais puras da cristandade, dizendo que estavam "cheios de si" pela falta de humildade e serenidade que a prática devida da religião exigia.

    A provocação é clara: não é pelo cristianismo que assim eram os homens, era simplesmente porque eram - somos - homens. Falhos. Entremeados, sim, pelas mais diversas definiçÕes de pecado.

    Bela obra.

Capa de Discurso de Metafísica

Discurso de Metafísica

Gottfried Wilhelm Leibniz

Lido de 06 a 12 out 2026

Discurso de Metafísica

Gottfried Wilhelm Leibniz

(Amazon) Gottfried Wilhelm Leibniz foi um filósofo e matemático alemão. Estudioso do cálculo integral e do cálculo binário, que seria futuramente importante para o estabelecimento dos programas de computadores. A ele é atribuída a criação do termo "função", que usou para descrever uma quantidade relacionada a uma curva, como, por exemplo, a inclinação ou um ponto qualquer situado nela.

ISBN-13: 9788532667922

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Minhas notas (5)
  1. Interessante o otimismo que o autor começa o livro. Na verdade, não sei se otimismo é a palavra exata... Talvez seja melhor algo como "crença absoluta na bondade divina".

    Começo a compreender melhor a linha de raciocínio e a ideia famosa de Leibniz sobre "Esse é o melhor mundo possível"

  2. Assim começa o Cap. VII: "É muito difícil distinguir as ações de Deus das ações das criaturas. Há quem creia que Deus faça tudo, outros imagem que Ele não faça mais do que conservar a força que deu as criaturas". Problema antigo e honestamente perpétuo. Quando alguém faz algo - bom ou ruim - quanto exatamente de participação de "Deus" existe naquele ato?

    Quando caímos na tentação de contemplar a "maldade do mundo" e relacioná-la com Deus, por exemplo. Quero dizer, é realmente o mundo quem pratica essa maldade? Ou são humanos? Como exatamente Deus participaria disso e em que medida?

  3. Os filósofos mais contemporâneos que me perdoem, mas que experiência agradável considero ler simplesmente os pensamentos do autor. Sem aquele excessivo número de citações, referências, etc. Entendo a importância do método, especialmente quando interpretado como parte de um continuum de pensamento filosófico, mas o jeito que Leibniz escreve esse livro parece ser muito muito mais confortável de ler.

  4. Ok, É errado pensar que "penso em Deus" → Ele existe já que podemos pensar em coisas impossíveis.

    Mas basta que Deus seja possível para que Ele exista?

  5. Muita coisa parece acontecer justamente nos capítulos finais. Interessante a ideia de "Cidade de Deus". O último, sobre Jesus Cristo, também igualmente interessante. A felicidade meio que vem para quem ama a Deus, acho.

    Obra profunda, muito mais religiosa do que eu imagina embora dotada sim de uma espécie de realismo investigativo / lógico.

    Achei pouquíssimo para poder dizer que compreendo melhor o autor. Não escaparei de ter que ler "... teodiceia".