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O desespero humano

Søren Kierkegaard

Lido de 14 a 20 out 2026

O desespero humano

Søren Kierkegaard

(Amazon) Søren Aabye Kierkegaard; Copenhaguen, (1813 – 1855) foi um filósofo, teólogo, poeta e crítico social dinamarquês, amplamente considerado o primeiro filósofo existencialista. Durante sua vida escreveu textos críticos sobre religião organizada, cristianismo, moralidade, ética, psicologia, e filosofia da religião, mostrando um gosto particular por figuras de linguagem como a metáfora, a ironia e a alegoria. A obra O Desespero Humano (Sygdommen til Døden em dinamarquês), literalmente "A Doença até à Morte" foi escrita por Kierkegaard em 1849 sob o pseudônimo Anti-Climacus. Kierkegaard trata o conceito de desespero equiparando-o ao conceito cristão de pecado. Muitos dos temas utilizados nesta obra mostram uma conexão inegável com os temas utilizados mais tarde por Freud.

ISBN-13: 978-6558940753

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Minhas notas (7)

  1. Já no prefácio da LeBooks Ed. entendemos o porquê de ser considerado Kierkegaard o primeiro existencialista, em uma citação de outra obra sua:

    "O que eu realmente preciso é ter clareza sobre o que devo fazer e não o que eu preciso saber (...). O que importa é encontrar um propósito, para ver o que realmente é que Deus quer que eu faça. O mais importante é encontrar uma verdade que seja verdade para mim, encontrar uma ideia pela qual esteja disposto a viver e morrer."

    E aprofundando um pouco mais nesse conceito, citam outra obra do autor (Enten-Eller) que ele termina com a frase "... apenas a verdade que é construída é verdade para ti."

    Animado com essa nova jornada.

  2. Aprendi uma palavra nova "Soçobrar", verbo que significa naufragar, afundar ou fazer com que uma embarcação vire.

  3. "Numa relação de dois termos, a própria relação entra como um terceiro,..."

    Acho interessante a forma com que muitos pensadores são capazes de colocar em palavras coisas absolutamente óbvias mas que de alguma forma merecem, sim, serem ditas. Em um casamento - feliz ou infeliz - existe o marido, a esposa e existe o casal.

  4. Compartilhar uma pequena citação aqui: "O defeito da infância está, em primeiro lugar, em não conhecer o horrível, e em seguida, devido à sua ignorância, em tremer pelo que não é para fazer tremer.".

    Merece um texto separado só pra comentar isso, não?

  5. "Daí provém que haja duas formas do verdadeiro desespero. Se o nosso eu tivesse sido estabelecido por ele próprio, uma só existiria: não querermos ser nós próprios, outra: a vontade desesperada de sermos nós próprios."

    Sei que pode parecer, a muitos, ultrajante qualquer paralelo entre grandes filósofos e música moderna, mas em Capricorniana (Poesia Acústica #3) temos uma frase que diz: quem é quem tem coragem de ser o que não é que logo recebe uma complementação e quem é que tem coragem de ser o que é.

    O que é mais difícil? Ser exatamente como queremos ou ser todos os dias alguém que não queremos. O que é mais desesperador?

  6. (...) assim como há doenças imaginárias, há saúdes imaginárias.

    Interessante ponto de vista. Existem doenças com pouquíssimo ou nenhum substrato orgânico claro e do mesmo modo existem pessoas doentes que por algum motivo comportam-se como se tivessem toda a saúde do mundo.

  7. O livro termina também com um pouco de fé, falando um pouco sobre pecado e sobre como o eu deveria apoiar-se nela.

    O último grifo que fiz no texto foi o seguinte: "Se se calasse o cristianismo, os homens seriam tão cheios de si? Certamente que não, como nunca o foram no paganismo;"

    Kierkegaard apoia-se na ideia cristã de que cada pessoa tem valor infinito ante Deus, mas que isso viria com exigências duras. Criticava inclusive os homens de sua época que teriam se afastado dessas concepções mais puras da cristandade, dizendo que estavam "cheios de si" pela falta de humildade e serenidade que a prática devida da religião exigia.

    A provocação é clara: não é pelo cristianismo que assim eram os homens, era simplesmente porque eram - somos - homens. Falhos. Entremeados, sim, pelas mais diversas definiçÕes de pecado.

    Bela obra.

Citações Favoritas (5)

  1. O defeito da infância está, em primeiro lugar, em não conhecer o horrível, e em seguida, devido à sua ignorância, em tremer pelo que não é para fazer tremer.

  2. Daí provém que haja duas formas do verdadeiro desespero. Se o nosso eu tivesse sido estabelecido por ele próprio, uma só existiria: não querermos ser nós próprios, outra: a vontade desesperada de sermos nós próprios.

  3. assim como há doenças imaginárias, há saúdes imaginárias

  4. A infelicidade de um eu desta espécie não está em nada ter feito neste mundo, mas em não ter tomado consciência de si próprio, em não se ter apercebido de que este eu é o seu, é um determinado preciso e, portanto, uma necessidade. Em vez disso, o homem perdeu-se deixando que o seu eu se reflita imaginariamente no possível.

  5. Mas como são raros os homens cuja consciência interior tem continuidade! Habitualmente a sua consciência é uma simples intermitência, que não se manifesta senão nas decisões graves, mas que permanece fechada ao cotidiano; como espírito, o homem não existe durante mais duma hora por semana forma bem animal, evidentemente, da existência espiritual.