Crepúsculo dos ídolos
Friedrich Nietzsche
Lido de 20 a 23 out 2026
Minhas notas (9)
Uma dúvida que não quero pesquisar no Google exatamente agora.
Por que livros pequenos de escritores de séculos passados ainda custam caro?
Interessante sair de Leibniz e Kierkegaard para Nietzsche. Ao menos, no que tange ao religioso, são diametralmente opostos.
A despeito disso, a leitura tem sido prazerosa.
Nietzsche tem uma certa maneira visceral de expressar-se, como quando diz sobre humildade: "O verme se encolhe ao ser pisado. Com isso mostra inteligência. Diminui a probabilidade de ser pisado novamente."
Sim. Isso é o autor falando sobre humildade.
Seguimos...
Ok. Depois que esse acabar acho que vou para algum livro de literatura mesmo.
"Quase todo partido vê que está no interesse de sua autoconservação que o partido oposto não esgote a força; o mesmo vale para a grande política. Sobretudo uma nova criação, o novo Reich, por exemplo, tem mais necessidade de inimigos que de amigos"
Atual, não?
Quando o autor comenta sobre liberdade (livre-arbítrio), diz que "os homens foram considerados 'livres' para poderem ser julgados, ser punidos — ser culpados". Pessimista? Realista? A ideia é que para punir qualquer ação que seja, é necessário que ela seja entendida como originada da consciência, só a partir disso o conceito de culpa teria sentido.
Pérola!
Nietzsche diz que "minha exigência ao filósofo, de colocar-se além do bem e do mal — de ter a ilusão do julgamento moral abaixode si."*
Aqui convoco Zizek e o conceito de paralaxe: a palavra vem da astronomia e representa o deslocamento aparente - perceptivo - de um objeto quando o observador muda de posição. Importando para a filosofia, o conceito sugere que perspectivas diferentes sobre uma mesma coisa podem ser irreconciliáveis entre si, já que o observador está sempre inscrito naquilo que está observando. Zizek entendeu isso não como um defeito do olhar, mas como algo inerente e inseparável da própria realidade. Fez sentido?
Então quão difícil é realmente colocar-se além do bem e do mal especialmente quando inserido no mesmo conceito que se está analisando? Nietzsche tenta resolver convidando o pensador a entender que os fenômenos de mundo não têm per se propriedades morais, tudo vem de nossa interpretação.
Me pergunto se é possível ser realmente imparcial com relação a qualquer coisa que seja.
Ele fala sobre tudo. Agora, arquitetura.
"Na construção devem tornar-se visíveis o orgulho, o triunfo sobre a gravidade, a vontade de poder; arquitetura é uma espécie de eloquência do poder em formas, ora persuadindo, até mesmo lisonjeando, ora simplesmente ordenando."
Me lembrou inclusive que nunca assisti "O Brutalista". Preciso ver.
"A doutrina da igualdade!... Mas não há veneno mais venenoso: pois ela parece ser pregação da própria justiça, quando é o fim da justiça... "Igualdade aos iguais, desigualdade aos desiguais" — isto seria o verdadeiro discurso da justiça: e, o que daí se segue, "Nunca tornar igual o desigual". — Em torno dessa doutrina da igualdade houve acontecimentos tão horríveis e sangrentos, que tal "ideia moderna" par excellence ficou rodeada de uma espécie de glória e de clarão, de modo que a Revolução seduziu, como espetáculo, também os espíritos mais nobres."
Aqui deixo apenas a citação. Escreverei sobre em breve.
Livro terminado. Curto mas com uma amplitude de temas assustadora. Pouquíssimos são os filósofos e pensadores elogiados nesse livro. Primeiro que li do autor.
Acho que vou mesmo ir para algum romance aleatório agora.
Citações Favoritas (5)
O verme se encolhe ao ser pisado. Com isso mostra inteligência. Diminui a probabilidade de ser novamente pisado. Na linguagem da moral: humildade. —
Os homens mais espirituais, pressupondo-se que sejam os mais corajosos, também experimentam as mais dolorosas tragédias: mas justamente por isso eles honram a vida, porque ela lhes opõe o seu máximo antagonismo.
Também na política a inimizade se tornou agora mais espiritual — muito mais sagaz, pensativa, moderada. Quase todo partido vê que está no interesse de sua autoconservação que o partido oposto não esgote a força; o mesmo vale para a grande política. Sobretudo uma nova criação, o novo Reich, por exemplo, tem mais necessidade de inimigos que de amigos: apenas no antagonismo ele se sente necessário, apenas no antagonismo ele se torna necessário...
Para haver arte, para haver alguma atividade e contemplação estética, é indispensável uma precondição fisiológica: a embriaguez.
Às vezes o valor de uma coisa não se acha naquilo que se obtém com ela, mas naquilo que por ela se paga — aquilo que nos custa.