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Macaco

e alguns pensamentos sobre a consciência dos animais.

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Eu sempre tive certa curiosidade em entender "exatamente" o quão conscientes os animais são. Um cachorro descansando em um bucólico alpendre com o olhar vago, no horizonte, estaria pensando em quê exatamente? Se é que pensa em algo, de fato.

Olhar no fundo dos olhos das pessoas, por exemplo, é sempre um gesto com algum significado, especialmente quando os olhares se encontram.

Dia desses resolvi fotografar um macaquinho - mico, sagui, soin... como você chama esse bicho por aí? - com o único objetivo de testar uma configuração nova na câmera. Eis que ao decorrer de vários cliques, em um deles o animal fitou-me de volta e deixou seu olhar perdido por um ou dois segundos. O que, se já tiver visto um mico anteriormente, sabe que é raro já que parece que esses animais estão sempre com pressa.

Mico.

O olhar do macaco meio que inverteu brevemente nossos papéis: eu não era mais um observador curioso, ele era. A curiosidade, na verdade, raramente é uma via de mão única.

Mas acho que enquanto nós elucubramos histórias complexas sobre coisas banais, procurando significado em tudo, eles simplificam situações complexas ancorando seus pensamentos em coisas mais banais e entendendo - conscientemente ou não - que nem toda coisa precisa significar algo.

Talvez essa seja a grande ironia de nossa relação com os bichos. Tentamos decodificar os gestos deles com ferramentas excessivamente intelectuais enquanto eles simplesmente registram o mundo em sua forma crua e sem aquela cobrança de significância que tanto inquieta nossas consciências.

Rodrigo Prado Escrevo apenas por hobby. Fora daqui sou médico especialista em clínica e fundador do Dose de Clínica. Conheça mais sobre mim clicando aqui.

Sobre a escrita

Não sei se puritano seria exatamente a palavra adequada para descrever o jeito que pretendo escrever aqui. Confesso que apenas me incomoda perceber os trejeitos e termos de texto de IA em tudo hoje em dia. O objetivo desse blog é exatamente o de tentar conservar, ao menos para mim, uma escrita mais pura.

Todos os meus textos aqui são escritos em editores sem correção automática ou interface de IA, como o One Markdown ou o Obsidian a depender do computador que estou utilizando. Após o texto pronto, eu mesmo o releio algumas vezes em busca de melhorias na estrutura das frases ou correções gramaticais óbvias. Quando tenho dúvida na escrita de alguma palavra, procuro no Google. Antigamente apareciam páginas de dicionários nas respostas, mas hoje a própria IA da plataforma responde antes de qualquer resultado.

Enfim.

Entenda, com isso, que os textos aqui podem não ser isentos de erros de concordância ou de gramática. Nem mesmo de grafia das palavras. Eu podia jurar, por exemplo, que o certo era "aficcionado", mas aparentemente o correto é "aficionado".

Além disso, ressalto que tudo que escrevo aqui é opinião minha. Não falo em nome de nenhuma instituição ou empresa onde trabalho ou já trabalhei. E, mesmo sendo médico, nada do que estiver aqui deve ser tomado como orientação médica.

Com esses detalhes em mente, espero que aproveite a leitura.