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Deus é a divisão por zero

um pouco sobre o começo do universo.

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Você deve se lembrar da época da escola que não existe divisão por zero.

Do ponto de vista algébrico, um dos jeitos de se definir uma divisão, digamos, a = b/c, é um número a que, multiplicado por c, resulta em b. Se por acaso c for zero, teremos a.0 = b.

Daí surgem duas possibilidades diferentes:

  1. Se b ≠ 0, não existe nenhum resultado possível - porquanto nenhum número multiplicado por zero resulta em outro número diferente de zero;
  2. Se b = 0, qualquer número serve e temos um resultado indeterminado.

Caso as expressões algébricas não sejam seu forte, tentarei explicar com pães e pessoas.

Imagine que você é um organizador de eventos e irá planejar uma festa para um número qualquer de pessoas - digamos dez pessoas - e pedirá que cada pessoa traga outro número qualquer de pães - digamos dois pães. Sendo assim, nesse evento, você poderá contar com um total de vinte deliciosos pães.

Entenda que multiplicar por zero é totalmente possível. Imagine essa mesma festa com os mesmos dez convidados com um detalhe sórdido: você esqueceu de avisar que era para levarem pães. Ninguém levou nenhum. Dez convidados trazendo um total de zero pães cada resultam em dez convidados famintos.

O oposto também é verdadeiro. Imagine que você convidou as mesmas dez pessoas e todos sabiam que era para levar dois pães cada um, entretanto, como achavam que sua festa iria flopar, nenhum convidado apareceu. Nesse caso, não importa quantos pães cada convidado tinha comprado, o total de pães na festa ainda seria zero.

Já ao pensarmos na operação de divisão, a história muda.

Em outra situação imaginativa, agora você e mais quatro amigos vão dividir dez pães entre vocês: cada um fica com dois. Fácil.

Mas e se você se esquecesse de comprar os pães? Nenhum pão dividido para cinco pessoas, cada pessoa receberia um total de zero pães. À exceção da fome, nenhum problema matemático com a operação.

Agora, pensando finalmente na divisão por zero, a própria pergunta deixa de fazer sentido. Não importa quantos pães existissem no mundo, se nenhum dos seus convidados e nem mesmo você existisse, como dividiriam esses pães entre seres inexistentes? Não dá. A situação passa a ser totalmente absurda.

E o que exatamente isso tem a ver com Deus?

Bom, o modelo mais aceito hoje em dia descreve um universo tridimensional em expansão acelerada através do tempo. Se olharmos para o passado, portanto, esse universo estaria menos expandido. E se olharmos ainda mais para o passado esse universo estaria ainda menos expandido. Seguindo esse raciocínio, chegaremos inevitavelmente a um ponto obscuro, um ponto onde as teorias da física deixam de fazer sentido. Um ponto que para fins didáticos podemos chamar de big-bang.

E vem a pergunta: e o que veio antes desse big-bang?

Você com certeza já se indagou sobre isso. Talvez até já tenha perguntado para seu professor de ciências, por exemplo. Mas será que essa pergunta faz sentido?

Não faz. O espaço e o tempo só existem depois do big-bang. Isso significa dizer que perguntar "o que havia antes do próprio tempo" não faz sentido lógico. Afinal de contas, antes é um advérbio de tempo que indica passado. Mas qual é o passado do próprio tempo? Ora. É a divisão por zero. É aquilo que, se definido, quebraria as regras do mundo como conhecemos. É, talvez, Deus.

E isso não quer dizer que Ele não exista, apenas que o que hoje chamamos de ciência não é capaz de descrever nada parecido.

Nós até tentamos, do mesmo modo que tentamos explorar a divisão por zero. A teoria dos limites, por exemplo, mostra-nos que para 1/x, quanto mais um x positivo se aproxima de zero, mais o resultado - o limite - se aproxima do infinito.

E o que é o infinito? Deus?

Ao meu ver o infinito é, sim, uma das formas da limitada mente humana definir Deus. A imagem não é necessariamente relacionada, mas lembro-me de visões como essa quando reflito sobre temas assim.

Rodrigo Prado Escrevo apenas por hobby. Fora daqui sou médico especialista em clínica e fundador do Dose de Clínica. Conheça mais sobre mim clicando aqui.

Sobre a escrita

Não sei se puritano seria exatamente a palavra adequada para descrever o jeito que pretendo escrever aqui. Confesso que apenas me incomoda perceber os trejeitos e termos de texto de IA em tudo hoje em dia. O objetivo desse blog é exatamente o de tentar conservar, ao menos para mim, uma escrita mais pura.

Todos os meus textos aqui são escritos em editores sem correção automática ou interface de IA, como o One Markdown ou o Obsidian a depender do computador que estou utilizando. Após o texto pronto, eu mesmo o releio algumas vezes em busca de melhorias na estrutura das frases ou correções gramaticais óbvias. Quando tenho dúvida na escrita de alguma palavra, procuro no Google. Antigamente apareciam páginas de dicionários nas respostas, mas hoje a própria IA da plataforma responde antes de qualquer resultado.

Enfim.

Entenda, com isso, que os textos aqui podem não ser isentos de erros de concordância ou de gramática. Nem mesmo de grafia das palavras. Eu podia jurar, por exemplo, que o certo era "aficcionado", mas aparentemente o correto é "aficionado".

Além disso, ressalto que tudo que escrevo aqui é opinião minha. Não falo em nome de nenhuma instituição ou empresa onde trabalho ou já trabalhei. E, mesmo sendo médico, nada do que estiver aqui deve ser tomado como orientação médica.

Com esses detalhes em mente, espero que aproveite a leitura.