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Memento Mori

lembre-se: também acontecerá com você.

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Eu meio que entendo quem diz que não gosta de Pink Floyd. Experimental demais para muitos ouvidos. Inconstante demais. Você teria paciência para ouvir os mais de 20 minutos de solos com pouquíssimo vocal de Echoes, por exemplo? E para quatro minutos de gritos em The Great Gig in the Sky? Afinados, mas ainda assim... gritos.

A maioria das pessoas, acredito eu, responderia que não. Por sorte, não me enquadro neste grupo e desde que me lembro admiro a banda. Tive a oportunidade de ver um deles ao vivo há dois ou três anos. Memorável.

A meu ver, Time - apesar dos irritantes despertadores em sua introdução - exibe uma das mais belas poesias já vistas na música

And you are young and life is long
And there is time to kill today

And then one day you find
Ten years have got behind you
No one told you when to run
You missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the Sun
But it's sinking
Racing around to come up behind you again
The Sun is the same, in a relative way
But you're older
Shorter of breath
And one day closer to death

Em tradução livre: e você é jovem e a vida é longa; tem tempo para perder hoje; mas um dia você descobre que dez anos se passaram; ninguém te disse quando começar a correr e você simplesmente perdeu a largada. E você corre e corre para acompanhar o sol mas ele afunda no horizonte; correndo ao redor do mundo só para aparecer atrás de você novamente; O Sol é o mesmo, relativamente; mas você está mais velho, com menos fôlego e um dia mais próximo da morte;

Quase ninguém se preocupa com a expectativa de vida de onde nasceu enquanto criança. Simplesmente não há tempo para isso porque há tempo demais para todo o resto. Eventualmente, entretanto, chega uma hora em que você começa a se perguntar: quando?

Lembro-me no dia em que completei vinte anos de vida. Deitei-me na cama e me percebi pensando em "quantos por cento" do meu tempo de vida já tinha se passado. Trinta por cento? Vinte por cento?

Hoje, aos trinta e quatro, me questiono se já passei da metade da vida ou ainda não. Quero dizer, 68 anos (34x2) é uma idade razoável para se morrer hoje em dia? A expectativa do Brasil felizmente é maior. E a expectativa, no Brasil, para quem chega à minha idade imagino que seja maior ainda. E entretanto é impossível não pensar sobre. Quanto tempo ainda há? Mais do que isso: esse tempo será suficiente?

Um filósofo perguntaria: suficiente para quê?

Rodrigo Prado Escrevo apenas por hobby. Fora daqui sou médico especialista em clínica e fundador do Dose de Clínica. Conheça mais sobre mim clicando aqui.

Sobre a escrita

Não sei se puritano seria exatamente a palavra adequada para descrever o jeito que pretendo escrever aqui. Confesso que apenas me incomoda perceber os trejeitos e termos de texto de IA em tudo hoje em dia. O objetivo desse blog é exatamente o de tentar conservar, ao menos para mim, uma escrita mais pura.

Todos os meus textos aqui são escritos em editores sem correção automática ou interface de IA, como o One Markdown ou o Obsidian a depender do computador que estou utilizando. Após o texto pronto, eu mesmo o releio algumas vezes em busca de melhorias na estrutura das frases ou correções gramaticais óbvias. Quando tenho dúvida na escrita de alguma palavra, procuro no Google. Antigamente apareciam páginas de dicionários nas respostas, mas hoje a própria IA da plataforma responde antes de qualquer resultado.

Enfim.

Entenda, com isso, que os textos aqui podem não ser isentos de erros de concordância ou de gramática. Nem mesmo de grafia das palavras. Eu podia jurar, por exemplo, que o certo era "aficcionado", mas aparentemente o correto é "aficionado".

Além disso, ressalto que tudo que escrevo aqui é opinião minha. Não falo em nome de nenhuma instituição ou empresa onde trabalho ou já trabalhei. E, mesmo sendo médico, nada do que estiver aqui deve ser tomado como orientação médica.

Com esses detalhes em mente, espero que aproveite a leitura.