PradoDiz.com

Vale a pena escrever na era da IA?

digo: realmente escrever.

· por ·

Tudo tem um começo e o começo desse site é esse texto bem aqui.

É de certa forma desmotivador, confesso, começar a publicar em uma época que existe IA. No meu manifesto em zeroia.org falo sobre como os textos pré-LLM devem tornar-se cada vez mais valiosos. Ler algo e saber que nada daquilo foi gerado por máquinas tem, sim, um certo ar superioridade.

Pode ser - provavelmente é! - que muitas das coisas que lemos hoje em dia já seja de fato totalmente escrito ou revisado por IA sem que saibamos. Acredito, entretanto, que boa parte desse tipo de texto provoca em nossa mente uma forma muito particular de vale da estranheza. Tudo parece bom mas ao mesmo tempo não muito. Alguma coisa parece estar sempre off sem sabermos verbalizar de fato o quê.

Hoje em dia existe preocupação real sobre quanto exatamente de IA está sendo utilizada em textos. Para um blog, a relevância é evidentemente nula, mas e para artigos científicos? Livros? Trabalhos inéditos no ramo das ciências exatas?

Estratégias nascem vez ou outra, aqui ou ali, para tentar mitigar a chance dessa escrita velada tomar conta de tudo. Partindo do resultado final - o texto, per se -, essa tarefa é muito difícil. Partindo da escrita, entretanto, a situação se torna mais controlada. Hoje temos softwares que monitoram quantas teclas são digitadas por minuto, analisam padrões de oscilação na velocidade na escrita, verificam existência ou não de ctrl+c/ctrl+v em busca de dizer, com precisão, quanto daquele conteúdo é humano e quanto não é. Em breve, talvez, autores só terão credibilidade quando streamarem todo o processo de escrita de determinado livro, imagino.

Difícil. Apesar disso, sigo. Escrever é bom. Ajuda a iluminar ideias e manter a mente afiada.

Espero que gostem. Espero que eu goste.

Rodrigo Prado Escrevo apenas por hobby. Fora daqui sou médico especialista em clínica e fundador do Dose de Clínica. Conheça mais sobre mim clicando aqui.

Sobre a escrita

Não sei se puritano seria exatamente a palavra adequada para descrever o jeito que pretendo escrever aqui. Confesso que apenas me incomoda perceber os trejeitos e termos de texto de IA em tudo hoje em dia. O objetivo desse blog é exatamente o de tentar conservar, ao menos para mim, uma escrita mais pura.

Todos os meus textos aqui são escritos em editores sem correção automática ou interface de IA, como o One Markdown ou o Obsidian a depender do computador que estou utilizando. Após o texto pronto, eu mesmo o releio algumas vezes em busca de melhorias na estrutura das frases ou correções gramaticais óbvias. Quando tenho dúvida na escrita de alguma palavra, procuro no Google. Antigamente apareciam páginas de dicionários nas respostas, mas hoje a própria IA da plataforma responde antes de qualquer resultado.

Enfim.

Entenda, com isso, que os textos aqui podem não ser isentos de erros de concordância ou de gramática. Nem mesmo de grafia das palavras. Eu podia jurar, por exemplo, que o certo era "aficcionado", mas aparentemente o correto é "aficionado".

Além disso, ressalto que tudo que escrevo aqui é opinião minha. Não falo em nome de nenhuma instituição ou empresa onde trabalho ou já trabalhei. E, mesmo sendo médico, nada do que estiver aqui deve ser tomado como orientação médica.

Com esses detalhes em mente, espero que aproveite a leitura.